sinto-me vazia. vazia de carinho, vazia de amor. sinto-me capaz de pronunciar qualquer palavra, qualquer desabafo amargurado, sem equacionar qualquer tipo de consequência. sinto-me triste. não queria ter de implorar pela atenção de ninguém, mas é a única coisa que pareço andar a fazer. queria apoio, apoio e compreensão. na verdade, é exactamente agora, neste preciso momento da minha vida, em que mais preciso. como nunca precisei antes, como provavelmente nunca mais precisarei. não, deste jeito, não desta forma. há dias, em que o sufoco é tão grande, que o meu único refúgio são as palavras, o único público das minhas lágrimas. há dias em que parece que tudo se vai desvanecer, que tudo se vai perder. e quando, penso que não podia piorar mais, acontece o imprevisto, a mágoa, a angustia da desilusão. e nesse momento, o mundo parece ruir. por breves instantes, talvez, mas dói, por breves instantes, dói, e nada o consegue parar. talvez um ombro amigo, uma simples palavra de conforto, no momento certo, me fizesse sentir segura, mas nem isso... a única coisa que surge, e me atormenta, é o silêncio de quatro paredes. nesta fase, em que todas as frases bonitas parecem tornar-se puros clichés, nesta fase, em que eu precisava irremediavelmente que os verdadeiros amigos se revelassem... talvez eles, se tenham ido embora, a maioria deles... e os outros, bem, os outros estão demasiado absorvidos pela sociedade, que não conseguem parar para olhar por cima do ombro. ou talvez não, talvez eu estivesse apenas habituada a olhar o mundo como um conto de fadas, completo de pessoas perfeitas. talvez eu exija demais do próximo, da mesma forma que exijo demais de mim, para com os outros. sou assim, e por mais que a vontade, e as advertências me implorem o contrário, sou assim, e serei sempre. coração aberto, vendo e dando, o melhor de mim, àqueles que amo. e daqui a uns tempos, quando a poeira acalmar, quando todas as feridas sararem, e estiver mais forte que nunca, provavelmente, estarei pronta a entregar-me novamente, àqueles que agora se esqueceram de mim. talvez, esse dia chegue, tal como aquele, em que todas estas palavras farão de novo eco, na minha cabeça.
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"não se pode, ao mesmo tempo, ser sincero e parecê-lo."