cresci. cresci mais depressa do que deveria. cresci porque as circunstâncias da vida assim o obrigaram. cresci porque o mundo é cruel. o mundo não é para meninas doces e inocentes.
deixei a minha casa de malas e bagagens, para um destino que nem eu mesma conhecia. conheci pessoas, pessoas que me mostraram o quão a maldade pode ser real... deparei-me com uma perspectiva das coisas, que nem nos meus próprios pesadelos eu pensaria que podia existir.
passaram quase dois anos. quando olho para trás, percebo o quanto mudei desde aquele dia em que aqui cheguei. completamente perdida. tive de criar o meu próprio escudo para conseguir sobreviver. os primeiros meses foram os mais dolorosos... foram praticamente passados a chorar, a soluçar, a implorar para que toda aquela dor acabasse. pensei que nunca fosse acabar, ou melhor, pensei que só acabaria quando me levassem daqui. a verdade é que nunca consegui erradicar esse sentimento, mas sim habituar-me a conviver com ele e a disfarça-lo com um sorriso. até mesmo com a saudade eu consegui lidar. já não passo as noites em branco a pensar no quanto as coisas poderiam ser diferentes se estivesse ainda junto dos meus. já não conto os dias para voltar para casa. claro que tenho saudades, só não penso nisso. ocupo o meu dia, penso em coisas boas. nada na vida acontece por acaso. mesmo que por muito tempo, tenha feito um balanço negativo desta que ainda continua a ser a maior aventura da minha vida, hoje vejo o quanto me fez/faz bem, o quanto tudo isto me tornou a mulher que sou. ainda tenho muito para evoluir, muito mais ainda para crescer, mas sei que estou num bom caminho. nada na vida se consegue sem sacrificio. quanto maior o esforço, maior a recompensa. eu acredito!