dezembro 19, 2015

a "família".

É-nos incutido desde pequenos o peso que a família tem nas nossas vidas. Sangue do nosso sangue, são aqueles que nunca nos deixarão sozinhos em tempo algum, seja qual for a circunstância. Aqueles que nos guiam, mas que também nos deixam percorrer o nosso caminho e aprender com os nossos próprios erros. Aqueles que nos dão conselhos mas nos deixam tomar as nossas próprias decisões.
Na teoria é assim, ou pelo menos deveria ser... Nem todas as famílias conseguem ter capacidade suficiente para se perceberem mutuamente, ou talvez nem tenham vontade de tentar.  
E quando nos deparamos com aquelas partidas que a vida nos prega inesperadamente, esperamos que entre toda a gente, aqueles que nos ensinaram esse valor, sejam quem nos dê apoio. 
Infelizmente nem sempre acontece... ou quase nunca, falo por mim. 
Senti-me sozinha a maior parte da minha vida, mesmo que rodeada de pessoas. Procurei muitas vezes "a" conversa, "o" abraço, aquele "estou aqui" que faria toda a diferença. Procurei tanto que desisti, que me isolei, que me perdi de mim mesma. 
Durante anos, vivi com este sentimento de angústia, com esta sensação de não pertencer a lugar nenhum. Senti-me assim durante tanto tempo que me habituei a contar apenas comigo mesma.
Nunca me senti verdadeiramente em casa, e só à bem pouco tempo é que percebi que "casa" não precisa ser necessariamente uma morada. 
Só à bem pouco tempo é que me comecei a reencontrar e sei que ainda estou longe de o conseguir. Ainda tenho inúmeras batalhas pela frente, muitas delas comigo mesma. Carrego demasiados fardos nas minhas costas, fardos esses que foram aumentando, como se uma bola de neve se tratasse, com todas as carências que sofri ao longo dos anos. Ainda tenho muito para descobrir sobre mim, coisas que não me permiti fazê-lo por estar demasiado preocupada a tentar "sobreviver". 
Para tudo isto, o tempo será sem dúvida o meu melhor amigo, mas, enquanto caminho, manter-se-à sempre uma certeza... a certeza de que no futuro, quando construir uma família, tentarei sempre dar tudo aquilo que não me conseguiram dar, para que desta forma, não permita que os meus se sintam da mesma forma que me senti... e ainda sinto, por vezes!